Sobre 21 anos e asas abertas
Quando eu era pequena, eu sempre pensei que quando crescesse queria ser um passarinho. Eu pensava que deveria ser muito bom poder conhecer qualquer lugar.
Esse ano eu fiz minha primeira viagem sozinha, sozinha mesmo, sabe? Esse ano também foi o primeiro ano que eu passei meu aniversário longe de casa, 21 anos. Mas há um tempo eu venho pensando sobre conhecer o mundo e ser passarinho.
Fazer 21 anos rodeada de amigos, longe de mainha, do dengo de vó, dos agarro do meu irmão foi estranho, mas aumentou em mim a certeza de que casa sempre é perto. Sempre.
E apesar do meu aniversário ter passado há uns 15 dias, eu gosto de pensar que todos os dias em Vitória tiveram gostinho de aniversário, aquele gostinho doido de coisa nova que a gente sente quando completa ano, mesmo que no fundo, nada vá sair do lugar, sabe?
Eu fiz 21 perdida no aeroporto de Guarulhos no dia 14, coração batendo na boca naquela ansiedade de pisar em terras capixabas, primeiro estado do sudeste que eu ia conhecer.
Fiz 21 de novo no aeroporto de Vix, avião taxiando pra parar, a respiração presinha igual quando botam um presente embaladinho na nossa mão.
Fiz 21 no gritinho de Israel quando me viu, e nos 10s que eu precisei respirar antes de sair da sala de desembarque porque de repente me assustou o tamanho da asa que eu tinha aberto pra estar ali.
Fiz 21 no dia 16/04 (de verdade), cantando parabéns com um bolo - acho que era cenoura - e xixa, no quarto do Anderson e a vela que era um app de celular.
Fiz 21 com os pés dentro da água gelada da praia da curva da jurema, com o Enrique.
Fiz 21 todos as vezes que eu parei pra olhar a maré da baía de Vitória em Porto de Santana, e o morro se erguendo cheio de história e força em Porto Novo.
Eu fiz 21 anos no meio de uma(s) crise(s) de choro(s) e uma mão incansável segurando a minha e mantendo perto. E o corpo quente do meu lado na cama, que espantava o medo, a insônia, a solidão.
Fiz 21 no cemuni V, no Bob, na Ufes.
Fiz 21 no onofre, conversando com Tereza, sobre mulher, negritude, amor.
Fiz 21 com canelinha, na beira da praia, no abraço da Thais e no sorriso bonito do Enrico.
Fiz 21 enquanto encontrava pela primeira vez pessoalmente, Maria Luiza, uma das minhas melhores amigas.
Fiz 21, sentada no chão do Santander, segurando mais uma vez aquela mão incansável, enquanto as cartas me diziam pra me jogar no que eu acredito. Eu acredito no amor.
Fiz 21 todas as vezes que troquei olhares de reconhecimento com alguém desconhecido nas filas do Itaciba ou S. Torquato.
Eu fiz 21 na terceira ponte, com as duas mãos espalmadas no capô de um carro, gritando que ele não ia passar, que greve era direito legítimo, e que se preciso fosse, eu seria a barreira humana. E fui.
Fiz 21 vomitando na porta de uma lanchonete, passando mal, porque o Paulo Hartung e sua tropa de choque são fascistas. Mas a gente é forte! E seremos tão maior.
Fiz 21 correndo atrás de um entregador de pizza no meio do Jardim da Penha porque botei o endereço de Cecilia errado no Ifood.
E conversando sobre comunicação e a vida no escuro com o Rodrigo Schereder.
E fiz 21 ontem na lama de novo. Abraçando as pessoas, gravando rostos e abraços sob a pele. Todos os rostos.
Obrigado, Vitória! Foi foda fazer 21 com vocês!
Espero que eu tenha deixado com vocês tanto quanto eu trago comigo.
Volto já! 💛

Comentários
Postar um comentário