Sobre andar com as próprias pernas.
Eu nunca fui muito boa com relacionamentos, sempre fui a tal parte que "ama" mais. Veja bem, ponho aspas ao dizer que era amor, porque no fundo, sei que não era. Eu me jogava na relação, me atirava. Nem tinha conhecido a família do cara ainda e já tinha imaginado a família que construiria com ele.Eu nunca soube equilibrar, ou me importava demais, ou estava desinteressada demais.
Eu ia dizer que era culpa do meu signo, mas não era. Era culpa só minha. Minha e da minha falta de maturidade.
Agora, aqui estou eu. Diante de um homem maravilhosamente lindo e confuso que me olha por baixo de sua cabeleira lisa, com as mãos apoiadas no queixo e rosto de menino de 13 anos. Ele é o que "ama" mais e pela primeira vez eu estou do outro lado da mesa. E isso não me faz nem um pouco feliz.
Acho que agora entendo o que os caras com quem namorei passaram, o desespero de se descobrir a tábua de salvação do outro, o sufocamento perceber a dependência e o medo de não saber mais se faz bem ou mal ao outro. A falta de paciência pra obediência cega.
De repente, eu não tenho mais um namorado, tenho um filho, um assistente. Pronto pra fazer e aceitar qualquer coisa que eu decidir. Até as pequenas decisões (qual o sabor da pizza, que filme assistir) parecem estranhamente pesadas quando são tomadas só por um lado.
Eu não sei se tem que goste desse tipo de relacionamento (mas tem quem goste de lamber suvaco, então...), mas sei que não é nem de perto o que eu espero pra mim.
Relacionamento pra mim é a dois. A dois em tudo. Eu não quero alguém que dependa de mim pra caminhar, quero alguém que queria andar ao meu lado, que segure minhas mãos quando eu cansar porque eu também sou feita de medos, de desesperanças.
E esse homem lindo ao meu lado, que agora parece finalmente entender o que eu quero dizer, precisa antes de sair em buscar de alguém, aprender andar com as próprias pernas. Tirar as rodinhas, pedalar e equilibrar sozinho. Demora um pouco, mas a gente consegue.
Se eu, ariana teimosa (8 ou 80 mesmo!), aprendi. Todo mundo aprende.
Jessyka Faustino


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