Diário de Madrinha
Minha amiga de infância me convidou pra ser madrinha do primeiro filho dela, eu aceitei com uma emoçãozinha gostosa no peito de ter sido escolhida pra essa função bonita e também pra jogar a famigerada aguinha na cabeça da criança, é bonito e tal.
Por escolha da mãe, resolvemos ir numa paróquia conhecida e tradicional aqui na cidade e lá descobrimos que pra batizar tem que fazer um curso preparatório. Eu nunca batizei ninguém, minha amiga também não, não sabíamos do que se tratava o curso, mas como era obrigatório, lá vamos nós.
O curso de madrinha é sobre como você vai cuidar da criança e eu sempre pensei que ser madrinha era sobre amor. O catequista que ministrou o curso, no entanto, logo ensinou que naquele caso, ser madrinha era sobre doutrinar.
Uma hora de curso, no primeiro andar da igreja, sentada em cadeirinhas minúsculas que antes de mim, cerca de 23 crianças ocuparam, ouvindo coisas sobre purgatório, pecado e etc. Até que em certo momento o catequista foi perguntando sobre pessoas do candomblé e umbanda que frequentam a igreja. E é aí, onde esse curso que me ensina a como vou cuidar de Arthur pra sempre muda de sentido.
A resposta do catequista foi:
"Isso é uma mancha escura da qual a igreja católica INFELIZMENTE não consegue se livrar."
Eu precisei desbloquear o telefone pra ver o dia o ano em que eu estava no meio do meu choque. Sim, em 8 de abril de 2017, um curso de madrinha realizado dentro da igreja ainda diz que gente que acredite em algo diferente é uma "mancha escura" e com muita ênfase no "INFELIZMENTE a igreja não consegue se livrar", se pudesse nós sabemos, o faria.
Hoje eu pensei sobre ser madrinha do Arthur, sobre amor, sobre respeito e sobre Deus. E percebi que, baseado no que eu conheço desses ditos filhos de Dele, talvez eu não esteja nesse grupo. Ufa! Que sorte do Arthur!


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